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Shooting Script em PT-BR

  • ROTEIRO DE FILMAGEM

BROWN GOLD (OURO CASTANHO) –

LONGLINE

Uma executiva cética retorna à sua terra natal na Amazônia e, com a ajuda de dois amigos da faculdade, precisa abraçar o legado ancestral de sua família para lançar uma marca revolucionária de chocolates e enfrentar um rival implacável movido por uma mentira que atravessa gerações.

ENTRADA EXT. PLANTAÇÃO DE CACAU – FAZENDA MÜLLER – DIA (PASSADO/PRESENTE):

ATO I

  1. EXT. PLANTAÇÃO DE CACAU – FAZENDA MÜLLER, PARÁ – DIA (FLASHBACK – 1980)

Vibrante, saturado, onírico. (p&b/sépia)

Drone sobrevoa a plantação de cacau até descer em close no jovem Miguel (30 anos), que dança com sua esposa grávida, Luisa, entre as árvores. Ele abre uma vagem de cacau e oferece os grãos a ela — um símbolo de vida e abundância.

MIGUEL (VO):

“A Terra não te dá apenas frutos. Ela te dá memórias.”

DISSOLVER PARA:

  1. EXT. PLANTAÇÃO DE CACAU – PROPRIEDADE MÜLLER – DIA (ATUAL)

Luz forte, plantação cansada, agora com cor. Créditos iniciais na tela. Miguel (70 anos) permanece no mesmo lugar, o vento e a respiração pesada substituem os sons alegres do passado. Ele cambaleia. Pedro se aproxima correndo.

PEDRO Chefe! Já chega por hoje. O sol está muito forte.

MIGUEL (ofegante)

A Terra não descansa, Pedro.

Miguel tosse. Trabalhadores o auxiliam fora do enquadramento. Um cacaueiro doente se destaca.

     3. INT. ESCRITÓRIO MODERNO – ZURIQUE – DIA Minimalista, frio, neve caindo lá fora.

Laura Müller (30 e poucos anos), elegante e de olhar penetrante, está em uma videochamada em inglês.

LAURA

Não se trata de tradição, mas sim de margem de lucro. Simplificamos o processo, reduzimos os custos indiretos e vencemos. Simples assim.

A ligação dela termina. O celular vibra duas vezes — chamada de “Pedro – Fazenda”. Ela o ignora, em conflito.

      4. INT. BAR  KING’S CAVE – ZURIQUE – FINAL DA TARDE

Ambiente aconchegante com decoração em madeira. Laura e Sophie (na casa dos 30), suíça com um toque brasileiro, compartilham uma taça de vinho.

SOPHIE

De volta ao QG. Só faltou o José teorizando sobre a reologia do seu chocolate quente.

LAURA (sorriso fraco)

Ele está tentando criar o chocolate perfeito, como sempre.

SOPHIE

E você? Muito ocupada esquecendo de onde veio? Recebeu notícias de casa?

LAURA Como sempre. A fazenda está passando por dificuldades. Os preços…

SOPHIE

Nosso projeto da ETH… “Narrativas de Origem da Amazônia”? Você estava tão entusiasmado. O que aconteceu?

LAURA (amarga)

A vida aconteceu, Sophie. Ou melhor, a morte. Depois da mamãe… tudo morreu um pouco. A fazenda, ele… Papai me mandou embora para me salvar da poeira e da tristeza.

SOPHIE (empática)

Eu sei… mas lembra do nosso artigo na ETH? Sua visão para o futuro? Isto… (aponta para o celular de Laura e para a fazenda) … é o capítulo que falta. Talvez seja hora de escrevê-lo.

(Cena impactante de Luísa tocando a jovem Laura, risos, chuva na terra.)

Outra chamada de Pedro: Laura atende, com o medo substituindo a frustração.

LAURA (em português)

Pedro? Como assim, no hospital? …Já estou indo.

  1. MONTAGEM – JORNADA DE VOLTA
  1. Laura viaja em primeira classe num grande A380; seu rosto está reflexivo.
  2. Close nas nuvens brancas através da janela. A câmera desce e mostra um verde infinito, ao som da natureza.
  3. A câmera retorna do close para o interior do avião, agora um pequeno bimotor, descendo.
  4. Aterrissagem em um campo de terra batida. Pedro espera; o calor e os sons da Amazônia inundam seus sentidos.

 

  1. INT. QUARTO—PROPRIEDADE MÜLLER – DIA

Miguel, frágil, mas de olhar perspicaz, oferece a Laura um velho caderno encadernado em couro.

MIGUEL

Eu falhei… Tentei te proteger mandando você para longe. Mas o seu lugar — a sua força — sempre esteve aqui.

Laura pega o caderno cheio de anotações, diagramas e fórmulas.

MIGUEL 

Tudo o que fomos. Tudo o que você pode ser. Está tudo aqui.

Ele fecha os olhos, exausto. Laura aceita sua herança.

(FIM DO ATO I – ~25 min)

 

 

ATO II

  1. EXT. ARMAZÉM DE FERMENTAÇÃO – PROPRIEDADE MÜLLER – ANOITECER

Laura examina caixas de madeira com a etiqueta “RESERVA 1994”. Pedro se aproxima.

PEDRO 

O último lote da sua mãe. Antes de… ela ir embora. Seu pai nunca mais foi o mesmo. Nem o chocolate.

LAURA

O que aconteceu com os negócios?

PEDRO

Dieter. Ele chegou oferecendo-se para comprar tudo por um preço fixo. Disse que nosso tempo havia acabado. Sufocaram os pequenos produtores. Seu pai resistiu… até que não pôde mais.

O nome “DIETER” paira no ar. Laura abre uma caixa; um aroma intenso a envolve. Uma ideia surge.

      8. INT. LABORATÓRIO DE CHOCOLATE – ZURIQUE – DIA

José (30 e poucos anos), apaixonado, examina grãos escuros ao microscópio. Sophie observa. Ele prova um.

JOSÉ

Isso é impossível…

Sophie… experimente.

Sophie prova, surpresa.

SOPHIE

Meu Deus…

JOSÉ

É o perfil de sabor… aquele que imaginamos na ETH. Todos pensavam que era fantasia acadêmica. Ela o descobriu. Laura o descobriu.

SOPHIE

(olhos brilhantes)

Então, o que estamos fazendo aqui, afinal?

 

      9. EXT. PROPRIEDADE MÜLLER – DIA

O veículo alugado chega. José e Sophie desembarcam. José passa a mão sobre as caixas de fermentação.

JOSÉ (sussurrando)

Eu nunca imaginei… que nosso projeto ETH se tornaria realidade. E aqui está…

Ele se vira para Laura.

JOSÉ

A madeira, a umidade, os micróbios nativos… Isso não é agricultura. É uma catedral. As máquinas não conseguem replicá-la. É um tesouro.

 

      10. INT. SALA DE ESTAR – PROPRIEDADE MÜLLER – NOITE (“NASCIMENTO DE OKOKO”) Trio reunido em torno de mapas, contas e anotações.

LAURA

Dieter fez outra oferta. É um insulto. Ele sabe que estamos à beira do colapso.

SOPHIE

Então não vendemos grãos. Vendemos a história completa. Uma marca. Não viemos a passeio.

Sophie sorri e revela um logotipo elegante em seu tablet: OKOKO .

SOPHIE

Okoko – “cacau” em iorubá. Origem de tudo. O K e o O invertidos representam o Brasil.

JOSÉ

Com esses grãos… posso fazer algo que a Europa nunca provou. Um chocolate com gosto de casa.

Laura observa o logotipo, depois seus amigos. Ela sorri esperançosa.

LAURA

Vamos fazer isso.

  1. MONTAGEM – A LUTA
  • Laura trabalha a terra, aprendendo com o caderno.
  • José faz experiências com lotes em um laboratório improvisado.
  • Sophie constrói a narrativa e contata os distribuidores remotamente.
  • O primeiro lote de OKOKO foi embalado.
  • Feira de Genebra: reações de entusiasmo; notícias na mídia.

 

  1. INT. CONSULTÓRIO DE DIETER – SUÍÇA – NOITE

Luxo moderno e frio. Dieter (Jeff Fahey, na casa dos 60) lê um artigo: “OKOKO – Tesouro da Amazônia”. Ele contempla uma foto antiga de seu pai e do avô de Laura. Atende o telefone.

DIETER

A garota Müller está ficando grande demais. Hora de lembrá-la das regras. Comece pela burocracia. Enterre-a em papelada.

  1. INT. MUNICIPAL OFFICE – PARÁ – DAY

Laura entrega uma pasta grossa; o atendente fica estupefato.

LAURA Está tudo aqui. No prazo.

Ela se vira para ir embora.

LAURA

Acostume-se com isso.

 

     14. INT. CONSULTÓRIO DO DIETER – NOITE

Dieter caminha de um lado para o outro, telefone na mão, uma fúria fria transparecendo em seu rosto.

DIETER

Ela conseguiu as autorizações. A burocracia não funcionou.

Ele olha para a foto antiga novamente.

DIETER (continuação)

Eles não entendem. Aquela terra deveria ser nossa. Tudo o que meu pai perdeu, tudo o que ele sofreu… e agora a neta dele aparece e se torna o símbolo da Amazônia? Com ​​a nossa história? Inaceitável.

Pausa. As decisões se tornam mais difíceis.

DIETER (continuação)

Ligue para Belém. Acione o plano B. Se não conseguirmos a fonte… ninguém conseguirá.

  1. EXT. PROPRIEDADE MÜLLER – NOITE (TUDO PERDIDO)

Fogos de artifício clandestinos incendeiam um galpão de armazenamento. Laura, Pedro, José e os trabalhadores lutam freneticamente contra as chamas enquanto o prédio desaba. Laura permanece de pé, com o prédio em chamas atrás dela, o rosto iluminado pelo fogo.

LAURA Ele não vai ganhar.

(FIM DO ATO II – ~75 min)

ATO III

 

     16. INT. DELEGACIA DE POLÍCIA LOCAL – DIA O inspetor cético permanece em dúvida.

INSPETOR

Sem provas, sem testemunhas… Não posso fazer nada, senhora.

LAURA

Que tal isso?

Sophie entrega um pen drive.

LAURA

Instalamos uma câmera de segurança na semana passada. A imagem pode estar granulada, mas os homens que acreditamos serem seus assassinos de aluguel estão visíveis.

O inspetor, surpreso, pega o objeto.

  1. MONTAGEM – O PONTO DE VIRADA
  • Imagens granuladas de capangas viralizam com a hashtag #SabotageInTheAmazon.
  • Sophie concede entrevistas internacionais. OKOKO torna-se um símbolo de resistência.
  • Aumento nas pré-encomendas para o próximo lote.

 

      18. INT. ESCRITÓRIO DE DIETER / PROPRIEDADE MÜLLER – NOITE (O CONFRONTO)

Uma chamada de vídeo. O rosto de Dieter tomado pela raiva.

DIETER

Acham que venceram? Vocês e seus ladrões. Celebrando o império que seu avô roubou do meu pai!

Laura, com uma expressão gélida, fecha o laptop.

LAURA

Li os diários dele. Sobre a amizade deles. Sobre as dívidas de jogo do seu pai em Mônaco. Meu avô não roubou dele. Ele o salvou — e salvou esta terra.

Dieter abre a boca em choque. Laura o interrompe.

LAURA

A história que você ouviu era o escudo do seu pai. Você não precisa acreditar em mim. Acabei de lhe enviar os arquivos — o diário dele, os extratos bancários. Veja você mesmo.

Um alerta de e-mail aparece na tela de Dieter: “A Verdade”. Sua expressão se desfaz. Ela não precisa se vangloriar — apenas sentir tristeza.

Laura encerra a chamada. Dieter congela, depois clica hesitante para abrir o e-mail. Seu rosto se fecha quando a verdade o atinge. Ele não está derrotado. Ele está arruinado.

 

      19. EXT. PROPRIEDADE MÜLLER – DIA (COMEMORAÇÃO)

Uma celebração comunitária vibrante. Música, comida, risos. José e Sophie brindam com Laura.

SOPHIE

À caverna do rei das Amazonas!

Eles riem. Miguel, em cadeira de rodas, observa com lágrimas nos olhos. Laura se aproxima.

LAURA

Não herdamos apenas terras. Herdamos uma história. E agora, o mundo inteiro está ouvindo. Obrigado.

  1. EXT. PRAÇA DA CIDADE – NOITE (VALSA FINAL)

A festa na fazenda ainda paira ao longe. Miguel está sentado sozinho na praça da cidade, sereno, sorrindo. Laura se aproxima e se ajoelha.

LAURA

(suavemente)

Pai?

Miguel levanta o olhar.

LAURA Nós conseguimos.

Ela o ajuda a se levantar da cadeira de rodas. Eles se abraçam e começam uma dança lenta.

LAURA (sussurrando)

Mamãe ficaria orgulhosa.

Miguel fecha os olhos, em paz.

A câmera gira em torno deles — quando a cena termina, Laura e Miguel se transformaram nos jovens Luísa e Miguel, com as roupas da abertura. Eles dançam sob as estrelas. Um drone ascendente revela a vila, a fazenda, os cacaueiros, a Amazônia. Inverso da abertura.

CRESCENDO MUSICAL: Tema final durante os créditos.

DESAPARECE PARA PRETO.

O FIM

 

A Rainha do Cacau

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